Após acidente

MPT constata irregularidades em empresa envolvida na morte de trabalhador

Trabalhadores não recebem treinamento para realizar atividades e não utilizam Equipamento de Segurança

POR: 7 Segundos com Assessoria
No último dia 27 um trabalhador morreu no patio da empresa enquanto manuseava um maçarico
Reprodução

Uma fiscalização realizada pelo Ministério Público do Trabalho na empresa Servtruck Implementos Agrícolas e Rodoviários, na manhã desta segunda-feira, 2, constatou que os empregados da empresa são submetidos a condições precárias de trabalho. No dia 27 de setembro, um trabalhador morreu após um caminhão-tanque explodir quando a vítima manuseava um maçarico.

Durante a inspeção realizada no galpão da empresa, e após colher depoimentos dos trabalhadores, a equipe do MPT conseguiu verificar, que os empregados da Servtruck não receberam treinamento específico para a execução das atividades e não estavam utilizando todos os equipamentos de proteção individual  suficientes a exemplo de luvas, capacetes, óculos, protetores auriculares e botas. A empresa, que atua na soldagem, pintura e outros reparos de máquinas pesadas, deveria adotar medidas mínimas e eficientes para proteger seus trabalhadores dos riscos existentes.

Dentre as irregularidades, o Ministério Público do Trabalho não encontrou nenhum programa de proteção contra incêndio, sinalização de segurança e de emergência e não identificou a existência do Programa de Proteção de Riscos Ambientais (PPRA). O único extintor existente no ambiente encontrava-se vencido e com o lacre rompido.

O ambiente de trabalho da empresa também não apresentava condições sanitárias adequadas, o que compromete a saúde no ambiente de trabalho. Foram encontrados banheiros sem higienização, armários inadequados para as atividades insalubres desenvolvidas, iluminação inadequada, refeitório com higienização insuficiente e ausência de local para guarda e aquecimento da refeição dos trabalhadores.

A procuradora do Trabalho Rosemeire Lobo participou da inspeção e afirmou que notificará novamente a empresa a apresentar a documentação necessária para o andamento do inquérito civil. “Verificamos o que a empresa deve adotar no seu ambiente de trabalho para evitar novos acidentes e estamos reunindo toda a documentação necessária para efeito de instruir o processo de investigação. O trabalho é de constatar o que aconteceu, mas também de evitar que aconteçam outros acidentes e que trabalhadores sejam expostos a riscos”, disse a procuradora.

Para o perito do Trabalho Joceilton Rodrigues, é essencial que um ambiente laboral possua condições que eliminem, neutralizem ou minimizem os riscos ambientais a que os trabalhadores estão expostos diariamente. Após a conclusão do relatório pericial, o MPT deve realizar audiência com o proprietário da empresa e cobrar explicações e providências, sob pena de levar o caso à justiça. Durante a inspeção, o proprietário não foi localizado.

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