Viral

Tik Tok: nova febre entre os jovens, rede social já figura entre os apps mais baixados

De origem chinesa, ele é pautado no compartilhamento de vídeos curto

Por O Globo 23/07/2019 14h02
Tik Tok: nova febre entre os jovens, rede social já figura entre os apps mais baixados
Bruno está entre os campeões de seguidores do Tik Tok - Foto: Divulgação

Ajuventude tem pressa, e o som dos ponteiros de um relógio não poderia soar mais apropriado para o nome de uma rede social que mira nesse público. Tik Tok , o nosso tic-tac em inglês, é a alcunha de uma das mais recentes febres digitais. Nascido na China, onde o Instagram e o Facebook são proibidos, o app é pautado no compartilhamento de vídeos curtos, numa lógica parecida com a dos Stories, mas sem que saiam do ar.

O mote é o entretenimento fácil e imediato. Faz sucesso ali a oferta de gravações engraçadas, com jovens dublando memes e músicas ou executando truques de edição, que se enfileiraram numa sequência infindável. Tal fórmula foi suficiente para fazer da aplicação a quarta mais baixada no mundo no ano passado, ficando, inclusive, à frente do Instagram. No Brasil, as primeiras estrelas nativas da plataforma começam a despontar. Uma delas é Bruno Carvente, do perfil @iBugou , especializado em truques de edição de vídeo. Ele chega a gastar três dias para produzir cada clipe de aproximadamente 15 segundos, num esforço que, até o momento, lhe rendeu 2,4 milhões de seguidores. “A galera ‘pirou’ com uma produção em que tiro o sol do céu e o coloco em outro lugar, como se estivesse trocando uma lâmpada”, descreve.

Bruno é paulistano, tem 28 anos e se aprofundou em efeitos especiais num intercâmbio em Nova York, em meio à faculdade de Sistemas de Informação. Escolheu o Tik Tok para escoar a sua criatividade por ser mais fácil de usar e ter um canal de comunicação melhor com os administradores do programa.

“É um lugar onde o público com idades entre 13 e 25 anos pode montar o seu ‘clubinho legal’”, diz. Outro motivo para essa adesão é o excesso de publicidade na concorrência, algo que ainda não acometeu o Tik Tok.

Mas isso também significa que os jovens interessados em ganhar dinheiro por meio da plataforma precisam ser mais criativos nesse sentido. É que, diferentemente de canais como YouTube, em que as pessoas podem lucrar a partir do volume de visualizações, o app chinês ainda não tem essa funcionalidade. Por ora, a monetização vem por meio de parcerias com empresas, numa lógica semelhante aos posts patrocinados do Instagram.

Outra forma de ganhar dinheiro pela ferramenta é fazendo lives em que os seguidores podem comprar créditos de até US$ 25 para presentear suas “estrelas”. Mas essa espécie de like com valor monetário ainda não engrenou por aqui e, inclusive, desperta dúvidas sobre o seu potencial. “ O Brasil é extremamente afeito às redes sociais, mas paga pouco por isso. Tanto que os sites de financiamento coletivo fazem um sucesso relativamente inferior no país, se comparado com outras partes do mundo”, pondera o coordenador do MBA em Marketing e Negócios Digitais da Fundação Getulio Vargas, André Miceli.

Se os jovens contemporâneos são imediatistas, na hora de ganhar dinheiro, eles conseguem mirar mais à frente. A macapaense Alice Oliveira ( @alicereja ), de 24 anos, atingiu um séquito de três milhões de pessoas, com vídeos de humor, em que aparece fazendo paródias de acontecimentos cotidianos e interpretando vários personagens ao mesmo tempo, sempre numa janela que não ultrapassa os 15 segundos. “Ganho mais dinheiro fazendo parcerias com marcas e no Instagram”, diz ela, citando a rede concorrente em que é seguida por “apenas” 418 mil pessoas. “Mas sempre fui a Alice do Tik Tok”, ressalta, reconhecendo a fama catapultada pela ferramenta, enquanto espera que a visibilidade a leve a produções maiores. “Quem sabe uma série na Netflix?”, almeja.

O mesmo acontece com Letícia Gomes ( @leticiafgomes ), que tem 25 anos e 1,1 milhão de seguidores. A maquiadora paulistana gasta três horas por dia para fazer um de seus vídeos de 15 segundos, nos quais mostra transformações impressionantes alcançadas por meio das pinceladas no rosto. Ela já se metamorfoseou no personagem Jim Hopper, da série “Stranger Things”, na apresentadora Eliana e na amaldiçoada boneca Annabelle. Acertou em cheio ao descobrir que os famosos tutoriais de maquiagem não teriam vez no Tik Tok, por serem “longos demais”. “Eu mesma só assistia a vídeos de maquiagem com até um minuto de duração”, comenta. O retorno veio por meio de parcerias com grandes empresas, como a Sony Pictures, para a qual trabalhou na divulgação de um filme de terror.