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Coronavírus: Mais da metade dos 22,9 milhões de testes não tem data para chegar

A informação é da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde

POR: Estadão Conteúdo
Coronavírus
Ilustração

A crise no fornecimento de testes para checar as contaminações pelo novo coronavírus não dá trégua. O planejamento do Ministério da Saúde (MS) conta com 22,9 milhões de testes, adquiridos ou doados, incluindo os testes moleculares, que são mais precisos no resultado, e os testes rápidos (sorológicos). Ocorre que, até agora, só há previsão de entrega para 9,183 milhões. Para as demais 13,7 milhões de unidades, o prazo é uma incógnita.

A informação é da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. O boletim da covid-19 desta quinta-feira informa ainda que, desses 9,183 milhões de testes com programação de entrega confirmada, apenas 904.872 unidades já foram entregues, sendo 500 mil unidades do teste rápido e 404.872 unidades do teste molecular, também conhecido pela sigla RT-PCR. A remessa integral só deve ser concluída no fim de julho.

Na prática, o ministério recebeu apenas 9,9% desta parcela de testes com entrega programada. Em abril, a previsão é de que mais 525 mil testes moleculares serão entregues. Três remessas de 1 milhão de testes cada estão programadas para maio, junho e julho.

Conforme revelou o Estado, o Ministério da Saúde detectou "limitações importantes" nos 500 mil testes rápidos doados pela mineradora Vale, fabricados na China, e pediu cautela a gestores do SUS ao aplicar o produto. A desconfiança do governo federal surgiu após análise de qualidade de um laboratório privado, feita a pedido da pasta, apontar 75% de chance de erro em resultados negativos para o novo coronavírus.

O percentual de erro cai para 14% em exames positivos, ou seja, que apontam a infecção, mas mesmo assim o governo sugeriu que o produto seja aplicado apenas em pessoas que apresentam sintomas da covid-19 há ao menos 7 dias para evitar diagnóstico falso.

Distanciamento. Os testes em massa da população são uma necessidade vital para que o setor de saúde do País, público e privado, se planejem e organizem minimamente uma estrutura capaz de atender os pacientes com suprimentos, estrutura de leitos e apoio médico. A avaliação técnica do Ministério da Saúde continua a mostrar que o Brasil não está com nenhuma condição adequada neste momento, envolvendo insumos médicos, estrutura hospitalar e capacidade de atendimento.

Por causa dessa situação, o Ministério da Saúde continua a defender o “distanciamento social ampliado” adotado pela maior parte dos Estados, apesar o presidente Jair Bolsonaro pedir reiteradamente a flexibilização das quarentenas.

“As unidades da federação que implementaram medidas de distanciamento social ampliado devem manter essas medidas até que o suprimento de equipamentos (leitos, EPI, respiradores e testes laboratoriais) e equipes de saúde (médicos, enfermeiros, demais trabalhadores de saúde e outros) estejam disponíveis em quantitativo suficiente, de forma a promover, com segurança, a transição para a estratégia de distanciamento social seletivo”, declara o Ministério da Saúde.

“As estratégias de distanciamento social adotadas pelos estados e municípios, contribuem para evitar o colapso dos sistemas locais de saúde, como vem sendo observado em países desenvolvidos como EUA, Itália, Espanha, China e recentemente no Equador”, afirma o boletim. “Essas medidas temporárias permitem aos gestores tempo relativo para estruturação dos serviços de atenção à saúde da população, com consequente proteção do Sistema Único de Saúde.”

O ministério lembra que “não há possibilidade de evitar a epidemia”, mas há estratégias “para diminuir o pico epidêmico em número de casos e distribuí-los ao longo do tempo a fim de preparar o sistema de saúde”.

Até ontem, o Brasil registrava 15.927 casos de contaminação e 800 mortos pela covid-19. As estimativas são de que haja uma subnotificação entre sete e nove casos de contaminação para aqueles são oficialmente conhecidos.

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