Política

Diretor-presidente da Gazeta de AL tem dossiê contra Collor, diz PF

Luiz Amorim é apontado como o responsável para fazer repasses ao senador alagoano

Por Berg Morais 04/08/2020 07h07
Diretor-presidente da Gazeta de AL tem dossiê contra Collor, diz PF
Luiz Amorim, diretor do Instituto Arnon de Mello - Foto: Cortesia

O diretor-presidente do Instituto Arnon de Mello (IAM), Luiz Pereira Duarte de Amorim, é alvo de investigação da Polícia Federal por participação em esquema milionário que desviou recursos obtidos para patrocínio cultural através da Petrobras e Caixa. Foram cerca de R$ 2,55 milhões, através de contratos assinados com inexigibilidade de licitação para desenvolver projetos de 2010 a 2016.

De acordo a PF, Amorim teria operacionalizado as transferências a pessoas físicas e empresas ligadas ao senador alagoano Fernando Collor (Pros). Em depoimento, o “Testa de Ferro” de Collor chegou a garantir ter documentos que comprovam a legalidade das transações. Mas, segundo os investigadores, ele não os entregou.

As operações ocorreram quando Collor era filiado ao PTB, e seu partido fazia parte do grupo que dava sustentação aos governos de Dilma Rousseff e Lula, e indicava aliados para dirigir empresas públicas.

As suspeitas do desvio de patrocínio surgiram quando foram apreendidos materiais da operação Lava Jato, onde Collor também é investigado por suspeita de participação no esquema de corrupção da Petrobras. Collor e Amorim também são réus pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Eles se dizem inocentes.

A Procuradoria Geral da República (PGR) alega que Collor e Amorim integram um grupo voltado ao desvio de recursos públicos e a lavagem de dinheiro na BR Distribuidora.

À Folha de São Paulo, Collor, Amorim e o Instituto Arnon de Mello disseram que as transferências são correspondentes ao reembolso pelos gastos que tiveram com os projetos culturais.

“Como se sabe, no poder público, só se paga ao fornecedor do bem ou do serviço quando se executa [o projeto]. Os projetos culturais foram desenvolvidos e executados com recursos das empresas dos grupo. Posteriormente à entrega das obras culturais, o instituto foi indenizado. Portanto era por demais justo que as empresas fossem reembolsadas com os recursos oriundos dos patrocínios”, diz um trecho da nota emitida pelos acusados.

O comunicado também afirma que Amorim entregou às autoridades “todos os documentos, contratos, contrapartidas, fotos dos eventos, comprovantes de mídias, DVDs, notas fiscais e as obras produzidas”.