Política

Rui Palmeira diz que está preparado para 2022 e alerta sucessor para desafios na Prefeitura

Prefeito confirma que seguirá vida pública e garante participar das próximas eleições

Por Berg Morais 31/12/2020 17h05 - Atualizado em 31/12/2020 17h05
Rui Palmeira diz que está preparado para 2022 e alerta sucessor para desafios na Prefeitura
Rui Palmeira - Foto: Pei Fon/ Secom Maceió

Em seu último dia de mandato como prefeito da Capital alagoana, Rui Palmeira (sem partido) falou com exclusividade ao Portal 7Segundos sobre os desafios que enfrentou durante oito anos na prefeitura de Maceió, justificou as promessas de campanha que não foram cumpridas e garantiu que participará das eleições de 2022.

Inicialmente, Palmeira fez um balanço dos seus dois mandatos à frente da Prefeitura, destacando os avanços em diversas áreas do município, e disse esperar que a nova gestão possa continuar os trabalhos que têm contribuído para o desenvolvimento de Maceió.

“Conseguimos investir em áreas carentes da cidade, em infraestrutura. Levamos saneamento, pavimentação, asfalto, para dezenas de localidades desassistidas e vamos deixar muitas obras em andamento e R$ 270 milhões garantidos para que a próxima gestão dê continuidade a esse trabalho do programa Nova Maceió”, disse.

O prefeito também comentou sobre as promessas de campanha que não foram cumpridas, sob a justificativa de que os recursos foram insuficientes. “Nossa capital não tem capacidade financeira para implementar um programa próprio de geração de renda, como o Bolsa Família. Então, foi um grande desafio dar assistência e realizar obras que pudessem melhorar as condições de vida das pessoas em situação mais vulnerável”, explicou.

Quando questionado sobre seu futuro político, Rui Palmeira foi enfático ao afirmar que ainda tem muito a contribuir com a população alagoana e garantiu que participará das eleições, em 2022. “Tenho o projeto de seguir na vida pública e, certamente, pretendo me candidatar a algum cargo eletivo em 2022. Porém, ainda é cedo para definições em relação a isso”, contou.

Por fim, o prefeito de Maceió falou sobre os desafios que o novo gestor terá pela frente com a desigualdade social, o enfrentamento à pandemia e os recursos insuficientes provocados pela crise econômica vivenciada no país. Rui Palmeira também colocou a Saúde como o principal problema da administração municipal e alertou para a necessidade uma parceria com o governo do Estado para aumentar a cobertura e a melhoria dos serviços públicos no município.

“Em Maceió, a Estratégia Saúde da Família, que conta com profissionais concursados, apesar de não ter a cobertura desejável tem um custo muito elevado, sendo um dos maiores do Brasil. Acredito que um caminho para avançar na atenção básica é parceria com o Governo do Estado. Levar policlínicas, clínicas de saúde da família, com aportes estaduais e municipais, pode ser um caminho para aumentar essa cobertura em nossa cidade”, concluiu.

Veja, abaixo, a entrevista na íntegra:

1. Balanço da gestão. O que conseguiu realizar nestes 8 anos?


- Avançamos em áreas importantes. Implantamos o maior programa habitacional de Maceió, reduzindo o déficit habitacional na cidade com a construção de novas 10.772 unidades levando mais qualidade para as famílias beneficiadas. Conseguimos investir em áreas carentes da cidade, em infraestrutura. Levamos saneamento, pavimentação, asfalto, para dezenas de localidades desassistidas e vamos deixar muitas obras em andamento e R$ 270 milhões garantidos para que a próxima gestão dê continuidade a esse trabalho do programa Nova Maceió.


2. Quais projetos ficaram pendentes e que gostaria de ter concluído?


- Estamos deixando muitas obras em andamento, algumas bastante avançadas, como a Ecovia Norte que, em breve, poderá ser entregue pela futura administração. Também temos conjuntos habitacionais em andamento, o projeto na orla lagunar e outros que dependiam de financiamentos, processos licitatórios e que atrasaram e não podemos avançar. Gostaria de ter feito muito mais, porém a maioria dos investimentos não dependem só do gestor e de sua equipe.


3. O que mais dificultou sua gestão?


O fato de Maceió ser uma cidade cheia de desigualdades e com recursos limitados. Nossa capital não tem capacidade financeira para implementar um programa próprio de geração de renda, como o Bolsa Família. Então, foi um grande desafio dar assistência e realizar obras que pudessem melhorar as condições de vida das pessoas em situação mais vulnerável. Ainda assim, conseguimentos entregar mais de 10 mil moradias. Famílias carentes, que viviam de forma muito precária, receberam a dignidade da casa própria. Mas ainda é preciso muito mais investimento para diminuir as desigualdades e tornar Maceió uma cidade mais justa.


4. O que espera do futuro político? Pretende continuar na política? se candidatar a novos cargos?


Tenho o projeto de seguir na vida pública e, certamente, pretendo me candidatar a algum cargo eletivo em 2022. Porém, ainda é cedo para definições em relação a isso.


5. Quais as dificuldades de gestão de Maceió que o próximo prefeito encontrará?


- O desafio de governar um município com uma grande desigualdade social, como citei anteriormente, além de enfrentar a crise econômica e política do país. Ainda estamos vivendo uma pandemia e o cenário em relação a isso é de incertezas. Nesse sentido, eu destaco o desafio para a Saúde do Município. Quando assumimos a Prefeitura, há 8 anos, Maceió tinha pouco mais de 30% de cobertura em atenção básica. Hoje a gente deixa a cidade com pouco mais de 45%. Conseguimos um aumento significativo, mas, obviamente, é preciso avançar mais e chegar em locais onde não conseguimos. Infelizmente, os recursos para esse importante setor são escassos, insuficientes para os investimentos necessários. Com o que se dispõe hoje, mal dá para pagar a folha dos servidores. Então, o que sobra para investir é muito pouco. Não é suficiente para ampliar a rede de atendimento nem para contratar novos profissionais. Em Maceió, a Estratégia Saúde da Família, que conta com profissionais concursados, apesar de não ter a cobertura desejável tem um custo muito elevado, sendo um dos maiores do Brasil. Acredito que um caminho para avançar na atenção básica é parceria com o Governo do Estado. Levar policlínicas, clínicas de saúde da família, com aportes estaduais e municipais, pode ser um caminho para aumentar essa cobertura em nossa cidade.